Em busca do título as agremiações levaram para a avenida muito brilho, animação, cor e repleto de inspirações e representatividade.

A Aldeia Amazônia recebeu as nove escolas de samba do 1º Grupo do Carnaval de Belém 2020, na noite de sábado (15).

Em busca do título as agremiações levaram para a avenida muito brilho, animação, cor e repleto de inspirações e representatividade.

Cada escola teve até 60 minutos para convencer os jurados e conquistar o público das arquibancadas.

O Corpo de Julgadores é composto por 30 titulares e seis suplentes, que irão apreciar os quesitos: comissão de frente, mestre sala e porta-bandeira, enredo, samba-enredo, bateria, evolução, fantasia, alegoria, harmonia e porta-estandarte.

Todas as cabines de julgamento têm placas de identificação dos quesitos a serem apreciados.

Veja como foi a apresentação de cada escola: Mocidade Unidos do Benguí Mocidade Unidos do Benguí Carnaval de Belém 2020 Alessandra Serrão/Comus Com o tema “Belém, Berço da Democracia - Onde o Sol Nasce para Todos”, a escola entrou na avenida às 20h e abriu o segundo dia do Desfile Oficial das Escolas de Samba de Belém, realizado pela Prefeitura de Belém.

A agremiação, composta por aproximadamente mil brincantes, trouxe uma mensagem muito atual e agradou os participantes. “Viemos representando um povo.

Conscientizar cada um do seu papel é fundamental, e transmitir isso por meio do nosso samba-enredo é maravilhoso.

O respeito com o próximo começa desde os pequenos detalhes da nossa escola, como por exemplo, eu, vestida como eu quero, soltando a voz e o samba”, afirmou a integrante da ala musical, Angela Rika, de 37 anos, em sua noite de estreia no grupo. Império Pedreirense Embaixada De Samba Do Império Pedreirense Carnaval de Belém 2020 Alessandra Serrão/Comus A segunda escola foi do bairro da Pedreira, que sedia o Desfile Oficial das Escolas de Samba de Belém.

O tema da Embaixada De Samba Do Império Pedreirense foi uma das maiores riquezas do estado do Pará, o açaí.

Foram 12 alas, em uma delas um grupo de pessoas usando pernas de pau, remeteu à ideia dos açaizeiros. O mestre de bateria da escola, Geraldo Oliveira, contou que a mais famosa fruta do Pará é também representada por quem o trata.

“Os batedores de açaí são pessoas tão importantes quanto neste processo da nossa exportação, por isso, escolhemos vestir o grupo da bateria com as roupas do batedor de açaí”, explicou. Escola Deixa Falar Agremiação Carnavalesca Deixa Falar Carnaval de Belém 2020 Alessandra Serrão/Comus A Agremiação Carnavalesca Deixa Falar, do bairro da Cidade Velha, foi a terceira escola a entrar na avenida do samba, com um tema curioso.

Ela fez uma crítica às escolas de samba e o fazer carnavalesco, com o enredo “Gugu, Dadá! Mi, Mi, Mi! Bumbum! Sátira Simpática de um Carnaval Pequeno!”. Cada ala veio com uma crítica retratando o modo como as escolas tratam a “briga” pelo primeiro lugar no concurso das escolas de samba.

A agremiação estava dividida em nove alas e três carros alegóricos.

Participaram 1.200 brincantes.

Apaixonada pela agremiação da Cidade Velha, Marivalda Pinho, de 60 anos, sai há oito anos na ala das baianas.

“É uma emoção que se renova a cada ano, eu fico emocionada, amo o carnaval e a escola”, disse. Piratas da Batucada Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas da Batucada Carnaval de Belém 2020 Fernando Sette/Comus Personagem importante do cenário cultural de Belém, o carnavalesco Miguel Santa Brígida foi o homenageado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas da Batucada.

A professora de dança, Vitória Barros, fez parte da comissão de frente e não aguentou a emoção.

“Essa é a minha primeira vez na comissão de frente e está sendo super importante.

Meu coração está a mil, não sei explicar, só sei dizer que está sendo maravilhoso”, contou emocionada. O segundo carro alegórico da escola trouxe uma imagem gigante do manto de Nossa Senhora de Nazaré, outra referência que lembra Miguel Santa Brígida, que é o criador do "Auto do Círio".

O último carro alegórico, dos quatro apresentados pela agremiação, trouxe o próprio homenageado como destaque principal encerrando o desfile da agremiação do bairro da Pedreira. Rancho Não Posso Me Amofiná Grêmio Recreativo Jurunense Rancho Não Posso Me Amofiná Carnaval de Belém 2020 Fernando Sette/Comus Atual bicampeã, a agremiação do bairro do Jurunas levou para a avenida o enredo “Às Margens do Maratauíra, Encontrei a Terra dos Homens Fortes e Valentes”, um canto de amor para o município de Abaetetuba.

A escola vem de dois campeonatos seguidos com temas referentes a cidades do interior do estado do Pará. Com 15 alas, três alegorias e 1.800 brincantes, o Rancho apresentou um show de cores, que encantou a torcida.

“Estou aqui para ver o Rancho, a melhor escola de todas.

Torço para eles desde criança e todo ano venho assistir”, comentou a torcedora Jhenifer Souza, de 20 anos. Quem São Eles Império de Samba Quem São Eles Carnaval de Belém 2020 Fernando Sette/Comus Com 17 títulos do Carnaval de Belém, a agremiação Império de Samba Quem São Eles homenageou uma das instituições de ensino mais tradicionais do estado do Pará, o Colégio Paes de Carvalho.

O Quenzão, como é conhecida a escola, levou na primeira alegoria a representação de um livro aberto e lápis coloridos. A escola veio com 18 alas, três alegorias e mil e seiscentos brincantes, e, a todo momento, as fantasias e alegorias faziam menção ao ensino escolar.

As madrinhas de bateria utilizaram adereços na cabeça, que lembravam os utilizados pelos alunos das bandas da instituição de ensino.

O tradicional uniforme do Paes de Carvalho não poderia faltar, componentes da velha guarda do Que são Eles vieram vestidos com os uniformes tradicionais. Bole Bole Associação Carnavalesca Bole Bole Fernando Sette/Comus Direto do bairro do Guamá, a Associação Carnavalesca Bole Bole foi a sétima escola de samba que abrilhantou a Aldeia Amazônica já durante a madrugada deste domingo (16).

Com o enredo "Guamá: O rio que chove poesia", a escola trouxe para a avenida os mistérios e lendas que nascem às margens do rio Guamá. Nas cores verde, laranja e branco, a Bole Bole contou o enredo em oito alas.

“Eu acompanho a escola desde a barriga da minha mãe, ela era passista da escola e esse é o meu primeiro ano como passista também.

Sou cria do Guamá, então meu coração esta acelerado para defender a escola que vem da periferia onde o samba é resistência”, contou a universitária Josilene Rocha. Xodó da Nega Associação Carnavalesca Xodó da Nega Carnaval Belém 2020 Fernando Sette/Comus O dia começava amanhecer quando a oitava escola entrou na avenida, a Associação Carnavalesca Xodó da Nega, do bairro da Cremação cantou o enredo “A Luta das Mulheres Muda o Mundo Pelo Direito de Ser e Amar”.

A escola fez uma crítica sobre a sociedade patriarcal, falando da importância do movimento feminista e suas conquistas. A comissão de frente trouxe mulheres que fazem parte da história, como Maria, mãe de Jesus, a jogadora de futebol Marta Vieira, entre outras.

A encenação mostrava a luta histórica das mulheres pela conquista do respeito e igualdade.

Na coreografia, a crucificação de uma mulher trans levantou o público.

Mais de 1.400 brincantes levantaram a bandeira da luta pelo fim da violência contra a mulher, pela igualdade e respeito. Escola de Samba da Matinha Escola de Samba da Matinha Carnaval de Belém 2020 Fernando Sette/Comus Última agremiação a entrar na avenida, a Escola de Samba da Matinha, do bairro de Fátima, apresentou suas três alegorias, 13 alas e os 1.500 brincantes já na manhã deste domingo (16).

Com o enredo "Horizonte de Esmeraldas no Voo e no Canto da Coruja Pelos Diferentes, na Escola das Diferenças", a agremiação falou da inclusão social. A comissão de frente contou com Pessoas Com Deficiência (PCD), que juntas protagonizaram diversas coreografias.

Ainda com as arquibancadas lotadas, o público festejou o tema e seguiu sambando e cantando até o último componente sair da avenida.