O ativista estava escondido desde dezembro do ano passado e era crítico ao governo de Pequim e sobre como as lideranças chinesas lidaram com o surto de Covid-19.

Presidente chinês, Xi Jinping, em aparição pública durante ação de controle ao surto de coronavírus Ju Peng/Xinhua/AFP A polícia chinesa prendeu no último fim de semana o jurista Xu Zihyong, crítico do governo de Pequim que havia pedido recentemente a renúncia do presidente Xi Jinping pela gestão da epidemia de Covid-19, infecçao causada pelo novo coronavírus .

O ativista estava escondido desde dezembro, após ter participado de um ato pela transição democrática da China. Segundo opositores ao governo chinês, Xu Zhiyong foi levado pela polícia no último sábado (15), em Guangzhou, no sul.

Ele vivia escondido na casa de amigos, que também foram presos sob a alegação de "abrigar criminosos". China tem mais de 2 mil mortes por coronavírus e 74,2 mil casos confirmados 905 casos confirmados em outros 25 países O jurista vinha criticando a gestão da crise do coronavírus Covid-19 nas redes sociais chinesas.

"Há escassez de médicos, os hospitais estão lotados e muitas pessoas contaminadas não foram examinadas", denuncia Xu Zhiyong em uma publicação. O ativista já havia sido preso durante quatro anos, entre 2013 e 2017.

Mas voltou a ser procurado pela polícia após ser solto e voltar à ativa nas redes sociais. Neste mês, Xu Zhiyong havia publicado um artigo pedindo que Xi Jinping renunciasse, citando a crise do coronavírus Covid-19 e a revolta da população de Hong Kong.

"Você não autorizou que a verdade fosse divulgada e essa estratégia se tornou um desastre nacional.

Não acho que você seja um homem mau, mas você não é inteligente.

Senhor Xi Jinping, por favor, desista", escreveu o jurista em um de seus últimos artigos. Após a prisão do ativista no sábado, família e amigos não tiveram mais notícias dele.

As autoridades chinesas não informaram até o momento para qual prisão levaram o jurista. Liberdade de expressão A prisão de Xu Zhiyong ocorre em um momento em que a população chinesa reclama da falta de transparência do governo sobre a gravidade da epidemia do coronavírus e exigem liberdade de expressão.

A morte do médico Li Wenliang, no início deste mês, revoltou a opinião pública.

O oftalmologista foi preso após tentar alertar as autoridades sobre a gravidade da doença.

Ele foi acusado de propagar boatos sobre a epidemia junto com outras setes pessoas. Li Wenliang postou uma foto de si mesmo no leito hospitalar Weibo/Reprodução O professor de Direito Xu Zhangrun, que fez críticas públicas contra o presidente chinês, foi colocado sob prisão domiciliar e foi banido da internet.

Além dele, o jornalista independente Chen Qiushi, que realizava reportagens em Wuhan – epicentro das contaminações – está desaparecido desde 6 de fevereiro. A mãe do jornalista foi informada pela polícia que ele foi colocado em quarentena.

Mas segundo outros blogueiros e amigos de Chen Qiushi, há grandes possibilidades de que ele tenha sido preso por divulgar informações não autorizadas pelo governo chinês. Vários jornalistas estrangeiros que trabalham na cobertura da crise do coronavírus Covid-19 em Wuhan foram ameaçados de serem colocados em quarentena.

Eles dizem que as autoridades locais lhes ofereceram duas opções: o isolamento em um hospital chinês ou a volta a Pequim ou Xangai de avião. Medida desproporcional O balanço da epidemia do coronavírus Covid-19 atingiu nesta quarta-feira mais de 1,9 mil mortos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou contra qualquer medida desproporcional, citando um estudo que mostra que mais de 80% dos pacientes sofrem uma forma branda da doença. Mais de 80% dos casos do novo coronavírus na China são leves, diz estudo O número de contaminações na China superou os 74 mil casos.

Em outras partes do mundo, mais de 900 pessoas infectadas foram identificadas em ao menos 25 países.

Além da China, mortes foram registradas até o momento nas Filipinas, Japão e França. Initial plugin text