Victor Castanho realizou o sonho de observar a espécie durante uma expedição no ano passado.

Canto do uirapuru é registrado com emoção por observador, em expedição amazônica Apaixonado por aves desde criança, Victor Castanho substituía os tradicionais contos de fadas e de heróis por lendas da floresta.

E, entre tantas histórias da avifauna brasileira, a do uirapuru-verdadeiro se destaca na memória do jovem observador.

“Ainda pequeno escutei as mais diversas versões dos mitos que cercam a ave, assim como as mais variadas canções falando dela.

Desde sempre imaginei como seria ver o uirapuru ao vivo”, diz. A vontade de observar a espécie era tanta que Victor se questionava: “Será que o canto iria me hipnotizar? Será que a mata toda iria ficar calada quando a ave começasse a cantar? Será mesmo que era tão poderoso o efeito daquela música?”. Uirapuru-verdadeiro é mencionado em diversas lendas amazônicas, canções folclóricas e populares Victor Castanho/VC no TG Motivado pelo desconhecido, o estudante de biologia da universidade de Columbia, em Nova York, embarcou em uma expedição na Amazônia no ano passado.

Foi quando as respostas aos questionamentos surgiram, durante uma trilha, nos arredores de Presidente Figueiredo (AM).

“Lembro bem quando ouvi aquela sinfonia quase perfeita, emitida pelo uirapuru.

Ao ouvir aquelas notas e aquele ritmo meu coração começou a bater muito rápido e meus braços começaram a tremer”, conta. “Eu finalmente vi aquilo que sempre li nos livros.

Quando finalmente observei o uirapuru fiquei paralisado, tentando compreender se era uma miragem ou se era real.

Poderia aquele ser o famoso rei da floresta?” A ave mede cerca de 12,5 centímetros de comprimento e pesa entre 18 e 24 gramas Victor Castanho/VC no TG Exclusivo e raro Com 12 centímetros e pouco mais de 20 gramas, o uirapuru desfila pelas matas a plumagem marrom acastanhada, que no sub-bosque da floresta aparenta ser extremamente alaranjada.

Exclusivo da floresta Amazônica, a espécie vive sozinha ou em casais.

No período reprodutivo, macho e fêmea constroem o ninho com folhas secas e, de acordo com relatos de Helmut Sick, procuram espaços em árvores com grandes colônias de formigas para garantir a proteção da estrutura.

“No que tange o status de conservação, não há dados estatísticos confiáveis sobre a verdadeira situação do uirapuru, uma vez que o último levantamento publicado pela IUCN foi elaborado em 2008”, alerta Victor, que destaca as mudanças da floresta ao longo dos anos.

A espécie costuma cantar na época de acasalamento, que é entre meados de setembro a outubro Victor Castanho/VC no TG “Com certeza com os incêndios e o desmatamento desenfreado essa espécie está sofrendo bastante.

Eles não são adaptados a grandes voos, então não conseguem escapar de situações de ameaça”, completa.

O estudante explica ainda que há oito subespécies reconhecidas de uirapuru.

“Elas se divergem no padrão do canto e da plumagem, o que faz com que essa espécie seja, de fato, uma ‘orquestra’ inteira”.

No entanto, Victor destaca uma pesquisa de 2016 conduzida por brasileiros que analisaram 515 indivíduos em museus e 146 gravações de voz.

“E chegaram a conclusão de que é possível separar o uirapuru em pelo menos seis espécies distintas.

Então há muita pesquisa a ser feita”, finaliza.

O uirapuru-verdadeiro é da família Troglodytidae, a mesma de várias da corruíra Victor Castanho/VC no TG Primos próximos Se você, assim como Victor, sonha em ver de perto um uirapuru, calma! “O uirapuru-verdadeiro é da família Troglodytidae, a mesma de várias aves que vemos comumente pelo Brasil inteiro.

O exemplo mais típico é a nossa corruíra, avezinha parda com faixas escuras nas asas e na cauda que também possui um canto maravilhoso”, explica o estudante. Outra espécie da família que pode ser observada facilmente por quase todo o País é o garrinchão, que, assim como os ‘primos’, merece destaque pela vocalização.

“Basta observamos bem os nossos arredores para que a mágica do canto das aves esteja conosco”, completa Victor.

Uirapuru é personagem de lenda amazônica Arte TG